São Paulo, 04 de julho de 2022, por Psicóloga Fabíola Luciano – A Depressão Infantil existe e hoje você saberá sobre: O que é, Sintomas, Causas, Como Tratar e muito mais. Portanto, confira!

O que é Depressão Infantil?

A Depressão Infantil (assim como a Depressão) é uma patologia que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que cresce a cada dia. E não são só os adultos que sofrem com o problema.

Crianças de todas as idades também podem ser acometidas pela Depressão Infantil. Se trata de um Transtorno Psicológico que afeta o humor e compromete o desenvolvimento dos pequenos, podendo interferir diretamente no dia a dia da criança, atrapalhando no processo de desenvolvimento social e psicológico.

Depressão Infantil - Psicóloga Fabíola Luciano - Especialista USP

Depressão Infantil

Apesar de o problema geralmente ser associado à tristeza, no caso de crianças, os sintomas mais perceptíveis podem ser outros, já que, quando muito novas, ainda não possuem a habilidade de expressar suas emoções com clareza.

Geralmente o pequeno apresenta irritabilidade, apatia, hiperatividade, problemas no sono, dentre outros sintomas.

Segundo Organização Mundial de Saúde (OMS), o índice de crianças entre 6 e 12 anos diagnosticadas com a doença saltou de 4,5% para 8% nos últimos 10 anos. Só no Brasil, de acordo com estimativas, a Depressão Infantil atinge de 1% a 3% da população entre 0 a 17 anos.

Isso significa que cerca de 8 milhões de crianças e jovens sofrem com Depressão Infantil. A OMS ainda alerta que a Depressão e transtornos derivados são a principal causa de incapacidade na realização de tarefas do dia a dia entre pessoas com essa faixa etária.

É provado que uma criança que apresenta quadro depressivo na infância tem maiores chances de desenvolver Depressão na fase adulta. Por isso, quanto antes os sinais forem detectados, maiores as chances de remissão com um tratamento adequado.

Portanto, pais, mães e professores devem estar atentos a possíveis mudanças de comportamento que podem indicar a presença do transtorno.

Depressão Infantil Sintomas

Uma criança com depressão apresenta alguns sinais que não podem ser ignorados. Esses sintomas podem ser físicos ou psicológicos. Os principais são:

  • Tristeza
  • Agressividade ou irritabilidade
  • Baixa autoestima
  • Choro excessivo
  • Sentimento de rejeição
  • Comportamento hiperativo
  • Dificuldade de concentração
  • Queda no desempenho escolar
  • Queixas frequentas de dores no corpo e cansaço
  • Medo exagerado
  • Insônia ou sono em excesso
  • Afastamento do convívio social
  • Baixa resistência
  • Mudanças nos hábitos alimentares
Depressão Infantil - Causas e Tratamento para Depressão em Crianças

Depressão Infantil – Causas e Tratamento para Depressão em Crianças

O que Causa a Depressão Infantil?

A Depressão Infantil pode ser acarretada pela soma de fatores internos e externos que acabam impactando na vida da criança. A ausência ou afastamento dos pais no cotidiano dos filhos, por exemplo, pode contribuir.

A morte de alguém que era muito presente na vida da criança e perdas importantes também podem ser fatores desencadeantes.

Além disso, conflitos familiares, violência doméstica e na escola, bullying, divórcio dos pais, excesso de cobranças e exigências, atitudes de autoritarismo ou negligência e outras ações que gerem estresse podem favorecer ou agravar para a Depressão Infantil. No geral, qualquer situação traumática pode ser um gatilho e levar ao problema.

Há também os fatores genéticos e biológicos, que costumam ter grande influência nos casos de depressão. Isso significa que, se a criança tem pais depressivos ou outros transtornos psicológicos, os pequenos têm mais chances de desenvolver a doença.

Quem pode desenvolver Depressão infantil?

Não existe um perfil ou idade específica para quem desenvolve a Depressão Infantil. O problema pode acometer crianças de todas as idades e classes sociais. Entretanto, existem alguns fatores que podem favorecer seu surgimento.

Fatores genéticos, por exemplo, podem ter influência no surgimento da doença. É comprovado que filhos de mães deprimidas têm mais chances de desenvolverem transtornos emocionais, dentre os quais está a depressão.

Além disso, crianças que passaram por situações traumáticas e estressantes como abandono, violência, morte de pessoas próximas, entre outros, também podem desenvolver a doença.

Algumas patologias e situações como intervenções cirúrgicas, hospitalização por muito tempo, diabetes, malformação corporal, enfermidades crônicas, dentre outras, também podem gerar transtornos relacionados à saúde mental que podem evoluir para a depressão.

A Depressão Infantil vem sozinha ou com outros problemas?

A Depressão Infantil dificilmente irá aparecer sem nenhum motivo. Geralmente, a criança acometida pela doença já está sobrecarregada devido a outras questões que acabaram sendo gatilho para o problema.

Em alguns casos, os pequenos com depressão já sofrem com outros transtornos emocionais diagnosticáveis, como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), transtorno de ansiedade, fobia social, entre outros.

Como não existem exames laboratoriais para identificar esses transtornos, é de extrema importância que os profissionais que irão fazer o diagnóstico tenham todas as informações necessárias para tal.

Com o histórico familiar e histórico de vida, somado a descrição dos sintomas, o diagnóstico preciso é feito para que tanto a Depressão quanto os outros problemas possam ser tratados adequadamente.

Como Reconhecer que meu Filho tem Depressão Infantil?

É possível perceber que a criança está com depressão observando o seu comportamento e como age diante de algumas situações. Quanto a isso, cabe aos pais/responsáveis e professores ficarem atentos quanto a mudanças de comportamento do pequeno. E além disso, é fundamental buscar um psicólogo ou Psiquiatra para fecharem o diagnóstico.

Como ainda não é capaz de se comunicar com tanta clareza e determinadas idades, a criança não consegue compreender o que está sentindo e, consequentemente, não consegue exteriorizar adequadamente tais sentimentos.

Por isso, é preciso notar se ela está agindo de maneira incomum, distinta de seu comportamento natural e do comportamento de outras crianças com a mesma faixa etária e na mesma situação sociocultural.

Depressão Infantil

Além de prestar atenção em mudanças nas atividades diárias (principalmente após episódios de muito estresse), é importante estar atento ao desempenho escolar da criança, bem como a sua capacidade de se concentrar.

Geralmente, quando ela está com depressão, o desempenho na escola tende a cair. Outros sintomas, como problemas como o sono e mudanças nos hábitos alimentares, também podem indicar a presença do transtorno. Vale atentar ao conjunto do comportamento e não um sintoma isolado.

A partir de qual Idade é possível Diagnosticar Depressão?

Não existe uma idade exata em que é possível diagnosticar a Depressão Infantil. Mesmo crianças muito novas podem apresentar quadros depressivos e, por isso, é preciso que pais e responsáveis fiquem atentos aos sinais. Quanto mais cedo o problema for identificado, melhores as chances de o pequeno responder bem ao tratamento.

Para fazer tal diagnóstico é necessário que um psicólogo analise o nível de maturidade emocional da criança, bem como sua autoestima. Além disso, o profissional deve analisar se há algum fato externo que possa interferir na saúde mental da criança. Por isso, também é avaliada a sua situação familiar e social, além de todo o histórico de doenças da família.

A colaboração dos pais tanto no processo do diagnóstico como durante o tratamento também é fundamental para que a criança possa melhorar.

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Se ver meu filho triste devo procurar ajuda médica? Quando procurar ajuda?

A criança se sentir triste por algum motivo específico é algo natural, contanto que esse sentimento seja passageiro e não venha acompanhado de outros sintomas. Por isso, é importante que os pais conheçam alguns sintomas da Depressão Infantil para poderem agir caso o comportamento esteja fora do comum.

Associar a depressão à tristeza não traz a resposta sobre o problema. É preciso compreender que se trata de distúrbio de humor que vai além da tristeza normal e temporária, ela é uma doença que envolve variáveis sociais, psicológicas e biológicas.

Por outro lado, muitas vezes os pais ou responsáveis podem ignorar alguns sintomas apresentados pela criança por acreditarem que se trata de uma fase. Assim, eles acreditam que as mudanças de comportamento e humor são parte do processo de formação comum da idade, quando na verdade essas alterações já podem ser sinais do quadro.

Por isso, com conhecimentos acerca da doença, é possível ter um olhar mais atento às crianças que apresentam possíveis sintomas de Depressão Infantil. Ao notar esses sinais, é importante que os pais procurem a ajuda de profissional especializado para diagnosticar e iniciar o tratamento rapidamente a fim de obter resultados positivos.

Saiba Mais sobre Tratamento Psicológico para Crianças

Depressão Infantil pode ser Tratada?

A Depressão Infantil pode ser tratada com resultados muito favoráveis. Para isso, é preciso, antes de tudo, que o diagnóstico seja feito corretamente. Após o diagnóstico, a criança passa por um acompanhamento e tratamento multidisciplinar em que psicólogos, psiquiatras e até mesmo os pais podem ajudar.

Com o tratamento adequado, seja através somente da psicoterapia ou através da terapia somada ao tratamento medicamentoso, as chances remissão total dos sintomas são grandes, já que ambos apresentam resultados satisfatórios.

Junto a isso, é importante que os adultos próximos à criança com depressão mostrem que ela não está sozinha, sempre a incentivando a realizar atividades, dando carinho e respeitando seus sentimentos.

 

Depressão infantil Foto: Freepik

Depressão infantil Foto: Freepik

Tipos de Tratamento para Depressão Infantil 

Existem diversos tratamentos para a Depressão Infantil que precisam ser seguidos com seriedade após o diagnóstico. Tais tratamentos geralmente são feitos em conjunto e se baseiam em dois pilares: o medicamentoso e o psicológico, através da psicoterapia.

Tratamento Medicamentoso

É importante lembrar que somente em casos mais graves o tratamento medicamentoso é indicado para aliviar os sintomas da doença. Em casos mais leves da Depressão Infantil, somente a psicoterapia, somada a atividades físicas e outros exercícios, podem ser suficiente o tratamento.

Mas caso seja de fato necessário o uso de medicação, ela deve ser prescrita por um Psiquiatra especializado em Infância.

Cada paciente tem seus sintomas e histórico que serão analisados individualmente para que possa ser medicado corretamente, com o mínimo de efeitos colaterais.

 

Atividade física

Outro método que pode ser usado em conjunto com outros tratamentos é a prática de atividades físicas. É comprovado que praticá-las melhora o humor das crianças.

Isso acontece porque, durante o exercício, o organismo libera endorfina e serotonina, que são neurotransmissores que dão sensação de prazer e bem-estar. Para que isso aconteça, é muito importante que pais e professores estimulem o pequeno a brincar e participar de atividades esportivas e recreativas.

Além de ajudar a melhorar o humor, esses exercícios estimulam o contato com outras crianças, o que pode ser essencial para a recuperação de autoconfiança e autoestima.

 

Tratamento Psicológico para Depressão Infantil

Em todos os casos de Depressão Infantil, é de extrema importância o acompanhamento e tratamento psicológico. Através da psicoterapia, o profissional utiliza métodos de tratamento que se adequam de acordo com cada criança.

Um dos mais utilizados – por se mostrar bastante eficaz – é a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). Ela busca uma reestruturação cognitiva e faz com que o pequeno consiga tomar conhecimento dos seus sentimentos e emoções a fim de melhorar os sintomas e problemas de comportamento.

Também pode ser interessante a terapia familiar, visto que, muitas vezes, parte do Tratamento para Depressão Infantil consiste na estruturação familiar. A ideia, nesse caso, é tratar da família como um todo, não apenas da criança. Isso também é importante porque, ao lado dos pais e familiares, as crianças se sentem mais seguras para participar da terapia.

 

Conheça a Psicóloga Fabíola

Psicóloga Fabíola Luciano – CRP 104468
Especialista pela Universidade de São Paulo  – USP.

 

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