O que é o Suicídio?

Suicídio é o ato intencional de um indivíduo para tirar a própria vida. É um problema que atinge pessoas de todas as nacionalidades, gêneros, idade e classe social e está fortemente associado à desesperança, à falta de apoio social e à solidão. Quem tem ideações suicidas ou de fato comete o ato, faz isso pela necessidade de buscar na morte uma fuga, uma saída para o sofrimento que, para o suicida, está insuportável e sem solução.

Suicídio na Adolescência

Na adolescência, o suicídio ocorre porque o jovem está passando por um período de inúmeras transformações, o que pode gerar conflitos internos. As causas, entretanto, são variadas, e vão depender da história de vida de cada um, bem como o ambiente social onde o adolescente está inserido.

Transtornos psicológicos são umas das principais causas do problema, mas não as únicas. O suicídio pode acontecer devido a atitudes impulsivas geradas por estresse, bullying, problemas no relacionamento, problemas familiares, consumo de álcool e drogas, entre outros.

Segundo o Ministério da Saúde, o maior índice de suicídio está entre os homens (79%), mas a maior incidência de tentativa de suicídio está entre as mulheres. A OMS – Organização Mundial da Saúde alerta que, em todo o mundo, o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos, perdendo apenas para a violência.

Diferença entre Pensamento Suicida e Planejamento de Suicídio

Saber diferenciar os pensamentos do planejamento suicida é de extrema importância para que aqueles que convivem com o adolescente saibam de que forma agir diante de cada situação.

Os Pensamentos Suicidas são aqueles que a pessoa tem acerca da possibilidade de cometer o suicídio. Eles começam a acontecer no momento em que o jovem se sente desamparado, isolado e sem esperanças, sendo tomado por pensamentos negativos e ligados à morte.

Para os que convivem com o adolescente, muitas vezes é difícil notar a existência desses pensamentos, já que nem sempre são verbalizados.

Eles acontecem, normalmente, em momentos de crise e desorganização mental, quando o jovem tem a sensação de ser incapaz de lidar com os problemas e solucioná-los. Apesar de pensarem em suicídio, nem sempre o ato de tirara própria vida é concretizado, mas já se trata de um grande sinal de alerta.

Já o Planejamento de Suicídio ocorre quando os pensamentos acerca de tirar a própria vida se agravam e se tornam mais frequentes. Nesse caso, a pessoa passa a formular um plano, muitas vezes detalhado e roteirizado, para cometer o ato suicida.

O pensamento e planejamento suicida podem aparecer de forma estruturada ou não-estruturada. Na forma não-estruturada, o jovem ameaça, de forma impulsiva, se matar ou se ferir, podendo de fato chegar a agir para tirar a própria vida. Já na forma estruturada, há planejamento. Nesse caso, o adolescente procura maneiras de tirar a própria vida, mostrando-se disposto a cometer o suicídio.

Como posso ter certeza de que o jovem pensa em Suicídio?

Normalmente, a primeira característica que pode ser notada é o fato de haver uma mudança significativa no comportamento do jovem. Muitas vezes o adolescente perde o interesse em coisas que outrora eram prazerosas e não tem energia para realizar tarefas básicas.

Além disso, ele pode sofrer drásticas mudanças de humor. Caso seja notado esse padrão de comportamento, é importante conversar com ele e procurar ajuda de um profissional.

As mudanças de comportamento podem se dar devido a transtornos psicológicos, como a depressão, ou por traumas e bullying. Situações que deixam o adolescente fragilizado por não conseguir lidar com perdas ou um sofrimento intenso podem gerar um comportamento impulsivo.

Por isso, é importante ficar atento à conduta do jovem após eventos estressantes, que podem ser gatilho para os pensamentos suicidas.

Também é importante dar ouvidos aos alarmes e avisos verbais. Frases carregadas de negativismo e desesperança como “quero sumir”, “não aguento mais”, “quero morrer”, “minha vida não vale nada” e outras similares não devem ser ignoradas nem tratadas com desprezo.

O abuso de álcool de drogas também pode ser um problema na vida de uma pessoa que passa por momentos de sofrimento ou que possui transtornos psicológico.

Essas substâncias podem, a princípio, servir como refúgio para o jovem. Isso é muito perigoso pois tais drogas, por si só, já causam sérios danos ao organismo e à mente, gerando alteração de humor e podendo debilitar o adolescente ou potencializar ainda mais os pensamentos suicidas.

O adolescente que fala que tem vontade de se matar quer chamar Atenção?

Muitas pessoas cometem o equívoco de achar que um jovem que fala sobre ter vontade de tirar sua própria vida, na verdade, só quer chamar a atenção. Sofrimento psicológico e descontrole de impulsos não devem ser vistos dessa forma. Quando um adolescente fala com frequência sobre suicídio ou transmite alguma frase de alarme, pode ser uma forma de pedir ajuda, amparo e compreensão.

Tratamento Depressão Adolescente

Por isso, é preciso prestar atenção nos sinais e não tratar os pensamentos ou tentativas de suicídio como algo feito para dramatizar coisas banais. O fato de o jovem ter tais atitude já mostra que algo está errado e, portanto, ele precisa de amparo e de um tratamento adequado para sanar pensamentos e sentimentos negativos.

Estatísticas do Suicídio na Adolescência

Apesar de diversas ações que visam prevenir o suicídio no mundo todo, o número de jovens que tiram a própria vida ainda é alarmante e tem crescido em alguns lugares. A taxa de suicídio de adolescente brasileiros, por exemplo, aumentou mais de 30% nos últimos 10 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa é a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos, perdendo apenas para a violência.

De 2005 a 2016, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, o suicídio na faixa etária de 10 a 14 anos aumentou 31%, passando de 0,54 para 0,71 por 100.000 habitantes. Entre os jovens com 15 a 19 anos, subiu 26%, saltando de 2,97 para 3,76 por 100.000 pessoas.

Ao longo das décadas de 1980 até 2012, o acumulado é ainda mais expressivo e impactante, chegando a 62,5% de suicídios de pessoas de 9 a 19 anos. Segundo o Ministério da Saúde, o maior índice de suicídio está entre os homens (79%), mas a maior incidência de tentativa de suicídio está entre as mulheres.

De acordo com a OMS, pelo menos dois terços das pessoas que tentaram se suicidar ou que de fato se suicidaram haviam comunicado sua intenção para amigos ou familiares. Isso reforça o sinal de alerta com o adolescente que fala sobre tirar a própria vida ou dá qualquer outro sinal verbal que pode indicar a ideação suicida.

As estatísticas também mostram que os transtornos mentais são a principal causa de suicídios em todo o mundo. De acordo com um estudo dos cientistas José Manoel Bertolote e Alexandra Fleischmann conduzido pela OMS e a Associação Mundial de Psiquiatria, a maioria dos casos está ligado à depressão e transtornos de humor (38,8%).

A análise foi feita a partir de dados de 15.629 pessoas que tiraram a própria vida. Depois da depressão, os principais afetados eram os dependentes químicos (22,4%). Depois há os casos de transtorno de personalidade (11,6%) seguidos de casos de esquizofrenia (10,6%).

Os que sofriam de transtorno de ansiedade correspondiam a 6,1%. As pessoas que sofriam de transtorno de ajustamento vêm na sequência, somando 6%. 5,1% apresentaram outros diagnósticos também psiquiátricos, 1% apresentaram transtorno mental orgânico e 0,3%, mostraram ter outros distúrbios psicóticos.

Os 3,1% que restaram não significam ausência de doença mental, mas a falta de um diagnóstico adequado.

No Brasil, apesar de não haver um plano nacional de prevenção de suicídio (documento previsto para 2020), a meta é que, em menos de dois anos, haja uma redução de 10% na taxa de pessoas que tiram a própria vida, conforme compromisso firmado com a OMS.

Sinais de Alerta para perceber que o jovem pensa em se matar

Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio podem ser evitados, já que grande parte deles são precedidos por avisos que muitas vezes são ignorados. Para isso, é importante saber quais os sinais de alerta, que podem ser verbais ou comportamentais, e estar atento à conduta do jovem.

Veja alguns exemplos de sinais apresentados por adolescentes que desejam tirar a própria vida, desde frases ditas até atitudes e comportamentos diferentes:

Sinais Verbais

  • “Quero sumir”
  • “Não aguento mais”
  • “Minha vida não vale a pena”
  • “Eu sou um fracassado”
  • “Sou um peso na vida dos outros”
  • “Não vou suportar isso”
  • “Logo ninguém precisará se preocupar comigo”
  • “Estou cansado de tudo”
  • “Não sei mais o que fazer”
  • “É melhor morrer do que viver assim”
  • “As coisas não têm como melhorar”

Sinais Comportamentais

  • Uso abusivo de álcool ou drogas
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável
  • Automutilação
  • Dormir muito ou pouco
  • Isolamento (afastamento de família e amigos)
  • Demonstrar raiva, irritabilidade ou falar sobre vingança
  • Ter alterações de humor extremas
  • Piora no desempenho na escola e em outras atividades
  • Dificuldade de concentração
  • Pensamentos excessivos sobre morte
  • Doação de pertences que valorizava
  • Perda de interesse em atividades que gostava antes
  • Descuido com a aparência
  • Comentários autodepreciativos, pessimismo, desesperança
  • Doação de pertences que valorizava
  • Despedir de parentes e amigos

O que faz um jovem pensar em se matar

Não existe um só motivo que faz com que um adolescente pense em tirar a própria vida. Diversos fatores como bullying, abuso de álcool e drogas, cobranças em casa ou na escola, entre outros, podem levar o jovem a ter ideações suicidas.

A grande maioria dos casos de ideação suicida de adolescentes são motivadas devido a alguma forma de transtorno mental, como a depressão. Os jovens acabam desenvolvendo esses transtornos porque estão na idade de transformações e de diversos conflitos internos, mais vulneráveis a situações e com maior risco de ceder às pressões impostas pela sociedade.

Essa é a fase em que eles ainda estão concluindo o seu desenvolvimento cerebral e, portanto, a capacidade de lidar com suas frustrações ainda não é efetiva.

Outras razões que podem causar pensamentos suicidas, além das já citadas, tem a ver com problemas amorosos ou familiares, traumas emocionais, dificuldade de se encaixar e determinados grupos, doenças orgânicas, entre outros. Os fatores genéticos também podem ter influência.

O que não dizer para um jovem que tem pensamentos suicidas

Além do acompanhamento psicológico, o apoio de pessoas próximas é fundamental para impedir que o adolescente cometa o suicídio. Oferecer um ombro amigo e, principalmente, escutar o que a pessoa tem a dizer faz com que ela se sinta acolhida.

Essa escuta, entretanto, deve ser de forma empática e sem nenhum tipo de julgamento. É importante que o indivíduo que tenta ajudar o jovem com pensamentos suicidas não tente solucionar os problemas por ele nem apontar caminhos. O apoio deve ser feito com respeito, sem desmerecer os sentimentos dele.

Por isso, até frases ditas com a melhor das intenções podem ter o efeito contrário em um adolescente que sofre com ideações suicidas.

Veja alguns exemplos do que NÃO dizer para um jovem com pensamentos suicidas:

  • “Pense de maneira positiva”
  • “Você precisa se distrair”
  • “Isso é só uma fase”
  • “Há pessoas com problemas piores que o seu”
  • “Você é mais forte que isso”
  • “Quem quer se matar não fica falando”
  • “Tenha fé”

Antes de dizer qualquer coisa para uma pessoa com pensamentos suicidas, é necessário saber qual postura adotar no momento da interação. A base deve ser sempre a do respeito, empatia, conexão, compartilhamento e disponibilidade. As frases acima, apesar de bem intencionadas, falham nesses aspectos, o que pode potencializar o risco de suicídio.

Em vez de tentar encontrar soluções genéricas e dar sugestões e conselhos, a pessoa que deseja ajudar pode iniciar um diálogo fazendo perguntas e mostrando que realmente se importa. Um “eu me preocupo e me importo com você” pode ser algo interessante a se dizer nesses momentos. Mostrar que se importa, sem julgamentos e sem pressão, é uma boa forma de ajudar o adolescente.

O que fazer ao perceber que o jovem tem pensamentos suicidas

As pessoas que convivem com o adolescente, como pais, colegas e professores, são as que mais consegue notar os sinais de que existem pensamentos suicidas. Por conhecerem melhor o comportamento do jovem, essas pessoas conseguem perceber se houve uma mudança de comportamento, queda de rendimento ou outros indícios.

Ao perceber esses sinais, o primeiro passo é fazer com que o jovem se sinta acolhido, oferecendo tempo para ouvir o que ele tem a dizer, sem julgamentos e sempre demonstrando empatia. Além disso, é importante sugerir, sem pressionar, que ele busque o acompanhamento de um profissional especializado para sanar o sofrimento através de um tratamento adequado.

Outro cuidado a ser tomado, mesmo durante o período de tratamento, é não deixar o adolescente sozinho, principalmente se ele apresentar os sinais de alerta verbais e comportamentais. Também é importante tirar de perto objetos cortantes, armas de fogo, álcool e drogas. Caso haja a necessidade de auxílio, uma boa opção é ligar para canais de ajuda como o Centro de Valorização da Vida, discando para 188.

O adolescente que pensa em se matar tem alguma doença psicológica?

As doenças psicológicas estão entre uma das principais causas de suicídio. Jovens que apresentam transtornos como ansiedade, depressão, doença bipolar, esquizofrenia, entre outros, tem maiores chances de desenvolver pensamentos suicidas.

Porém, nem todo adolescente com esses pensamentos possui uma doença psicológica. Muitas vezes, as causas de ideias suicidas podem surgir devido a experiências traumáticas que fazem o adolescente se sentir desamparado, culpado ou envergonhado.

O bullying também é um grande vilão que muitas vezes acaba desencadeando em pensamentos suicidas. Ele atinge as vítimas de maneira intensa, gerando um sentimento de tristeza que pode evoluir para transtornos psicológicos.

A saúde mental do adolescente pode ainda ser afetada, por exemplo, pelo consumo excessivo de substâncias como álcool e drogas. Isso, muitas vezes, também acaba gerando pensamentos suicidas.

Tratamento para Ideação Suicida na Adolescência

Medicamentoso e Psicológico

O suicídio é, na grande maioria dos casos, resultado de doenças mentais e, portanto, tem tratamento. Para realiza-lo, entretanto, é importante ter a certeza de que há um transtorno psicológico com um diagnóstico preciso. Assim, os profissionais saberão qual o tipo de tratamento mais adequado para cada caso.

O acompanhamento de um psicólogo e um psiquiatra é fundamental nesse processo. A psicoterapia somada a um tratamento medicamentoso (quando necessário), apresenta resultados satisfatórios na luta contra o suicídio.

Tratamento Medicamentoso

O uso de remédios, sempre prescritos por um psiquiatra, é indispensável nos casos em que o transtorno que está causando pensamentos suicidas é grave. Geralmente os medicamentos utilizados são os inibidores seletivos de receptação da serotonina, pois costumam estabilizar o humor.

Também podem ser prescritos antidepressivos tricíclicos e inibidores da monoaminoxidase. A medicação é prescrita de acordo com o histórico e sintomas de cada paciente e, portanto, costuma variar de pessoa para pessoa.

Tratamento Psicológico

Os cuidados psicológicos são fundamentais quando se trata de ideação ou tentativa de suicídio. Nesse caso, o tratamento é composto por técnicas e estratégias de enfrentamento, e o profissional deve atuar de forma cuidadosa, transmitindo tranquilidade e segurança para o paciente.

O psicólogo irá trabalhar para melhorar a autoestima, pensamentos e atitudes do jovem através da compreensão de seus sentimentos e ciclos disfuncionais.

Um dos métodos bastante utilizados é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), técnica que tem eficácia comprovada no tratamento dos mais diversos transtornos psiquiátricos – problemas que podem aumentar as chances de suicídio. Tal processo psicoterapêutico busca o desenvolvimento da forma de pensar consciente e adaptativa, como o pensamento racional e a solução de problemas.

Isso é feito para que o adolescente consiga reconhecer a sua maneira patológica de pensar e consiga muda-la. As técnicas utilizadas visam a reestruturação não só do pensamento, mas também do comportamento e do humor. Isso contribui para a redução da desesperança e dos pensamentos suicidas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Entre em contato!